HAITI – Lony Rosa

20 de janeiro de 2010
By Da redação

Foi preciso que a terra tremesse e destruísse parte de uma nação – que não perde nada para o inferno -, para o mundo conhecer a maior miséria das américas. Pátria de desgraçados, o Haiti sempre foi o depósito de lixo das colônias espanhola e francesa sob a regência dos EEUU. Hoje é um lugar entregue a sua sorte, ou melhor, ao seu azar. Esquecida por todos, vive de esmolas, de alguns paises que tentam organizar aquela bagunça.

O Brasil está lá prestando ajuda para garantir um pouco de ordem. Mas vai ser uma lida árdua e longa. Para o mundo, essa tragédia abalou a moral de ricos e pobres. Todos se compadecendo e querendo ajudar de uma maneira ou de outra. Ver aquela multidão de negros peleando por água e comida; ver os corpos sendo amontoados e depois jogados numa valeta, sem um enterro decente, ver as criancinhas gritando, órfãs, andando a esmo nas ruas…, não dá pra descrever. Mas para os haitianos é apenas mais uma tragédia. Basta buscar reportagens sobre o modo de vida daqueles infelizes.

O Haiti é famoso por possuir um mercado livre, onde o esgoto a céu aberto assiste o comercio de roupas e alimentos. A falta de higiene, a promiscuidade, prostituição, drogas e violência são seus cartões postais. Mais de 80% da população desempregada, terra infértil, sucessivos golpes de estado, governantes sanguinários e corruptos e, o descaso do resto do mundo, são roteiros que certamente o diabo gostaria de explorar.

O que surpreende, não sei se é bom ou ruim mas que paradoxalmente revoltou a muitos –e eu me incluo nessa leva –, é que o dinheiro, a ajuda pretendida a séculos pelos pobres coitados, finalmente apareceu! Alimentos, roupas, médicos, ongs, logística para implantar hospitais provisórios. Aviões e navios estão se deslocando para o local do desastre, trazendo em seus bojos muitas toneladas de mantimentos mas que desgraçadamente por falta de espaço, não dá pra desovar.

Todo esse filme de horror vocês estão vendo diariamente em todos os noticiários do planeta. Eu fico imaginando se essa manifestação toda, esse movimento global pela ajuda e solidariedade vai perdurar. O Haiti precisa de ferramentas para poder sobreviver. Não pode ser essa chacota, esse desprezo mundial, essa prisão que hospeda seus habitantes num corredor da morte. Os recursos existem. Basta ter sensibilidade e compaixão.

Bilhões e bilhões para organizar uma copa do mundo, uma olimpíada. Eventos efêmeros que não duram um mês. Porque não criar uma política de assistência permanente a paises como a Tanzânia, Ruanda, República do Congo, e, outros paises africanos que estão entre os mais pobres do mundo?

É preciso dar dignidade a essa gente que foi colonizada, explorada, humilhada, saqueada e depois largada ao relento. Se o Haiti tivesse ouro, petróleo e uma Amazônia, com certeza os G9, G10, G 1000, estariam lá, construindo shoppings e aculturando a população para adquirir perfume francês, carro importado indumentária de griffes famosas e, as bugigangas que o primeiro mundo tem de sobra e precisa despejar em algum lugar da terra.

Leave a Reply

Calendar