Pedro Bial não tem culpa

Minha gente fui recentemente a São Paulo, por uma semana e fiquei triste em ver tanto talento desperdiçado, tanto desemprego de sensibilidade nas artes. Grandes músicos, instrumentistas e poetas, estão literalmente desempregados.  Os nossos ícones ainda são os mesmos, não há substitutos para Elis Regina, Baden Powell, Pixinguinha, Paulinho Nogueira, Jacob do Bandolim, Tom Jobim, Vinicius, Elizete Cardoso e tantos e tantos outros e outras que fizeram a nossa base, o nosso cerne musical e a ternura. Quem professa essa constatação e busca o seu sustento nesse porto, está a deriva. Há um porquê de se viver do passado, sim. Por isso também veneramos Beethoven, Bach, Lizt, que é o que nos apruma na vida, o que ainda nos torna calmos e fraternos quando contemplamos uma flor.  Há uma razão para não nos contaminar com canções de plástico e as belas estampas da mídia que semeiam o nada. Não vamos mudar porque comemos, consumimos o melhor da cultura brasileira. Essa juventude que está aí, vive um jejum há décadas e preenche os seus vazios com crack, álcool, violência e desamor. E assim caminha a humanidade. Mas essa água ruim não chega até nós, não. Beyoncé e outras máquinas humanas produzidas em laboratórios não vão nos envolver nessa engrenagem oportunista de valores. Por isso é que o romantismo ainda não morreu para uma grande parte da população, e nós, sonhadores inconteste, inteligentes e sábios, quando perdidos, nos reencontramos nos acordes e letras que ficaram nos nossos rastros, graças a Deus. Mudando um pouco o foco, o big bosta está aí, mais uma vez batendo na telinha da tv para invadir a sua casa. Vem, como sempre, extinto de qualquer cultura, alienante e eficaz nos cérebros da grande massa que engole essas fartas doses de desprazer. Seu apresentador, Pedro Bial, não carrega esse pecado na alma por mostrar essa chaga aberta. Ele é apenas um empregado. Faz o que lhe ordenam: dança, canta, chora, ri, solta pum, e só não voa porque bestas não têm asas. Enquanto isso vamos nos preparando para receber em nossos decentes lares esse non sense da tv brasileira. Alguma emissora, destas poderosas, deveria fazer uma reality show, produzidos em alguns gabinetes de parlamentares. Um nome sugestivo seria Big Brother Brasilia, roteiro protagonizado por essa gangue que esconde dinheiro nos recônditos mais indiscretos da indumentária: cuecas, calças e calcinhas. Poderia ser apresentado pelo Arruda. Fala bem, tem uma cara bonachona de inocente e, afirma que a terra é quadrada e que Napoleão Bonaparte era pagodeiro e desfilava na Mangueira. E quase convence! Não fosse pelas provas gritantes, ele, o Arruda, passaria por um injustiçado governador acusado injustamente pela oposição. Que não se reverta essa sábia, justa e insólita decisão, minha gente, senão vamos ter que pagar por injúria calunia e difamação. E na pior das hipóteses ainda vamos ser chamados de ladrões. Já é o melhor reality show nacional. Basta apenas oficializar.

Lony Rosa.

This entry was posted in Artigos, Lony Rosa. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>