Condição carcerária de jornalistas encabeça motivos de greves de fome no mundo

Por Ana Ignacio/Redação Portal IMPRENSA
Nesta quarta-feira (10), a greve de fome iniciada pelo jornalista cubano Guillermo Fariñas completa duas semanas. No dia 23 de fevereiro, Orlando Zapata, preso político condenado a prisão por desordem pública e desacato, morreu em Havana após 86 dias de greve de fome. O dissidente cubano protestava contra as condições penitenciárias e sua morte repercutiu entre políticos e entidades de defesa dos direitos humanos.
 
Greves de fome, protestos contra condições penitenciárias e jornalismo têm mantido uma forte relação nos últimos anos. Apesar da grande discussão atual ser relacionada à liberdade de imprensa, somente dois entre dez casos de greves de fome realizadas por jornalistas de 2003 para cá tinham relação com censura e liberdade de expressão. As demais eram formas de protesto contra condenações e situação carcerária de jornalistas. Dados da Organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) indicam que há, atualmente, 188 jornalistas presos no mundo. O líder é o Irã, com 42 detidos, seguido por China (30) e Cuba e Eritréia (25 cada).
 
Um dia após a morte de Zapata, Guillermo Fariñas iniciou protesto contra o ocorrido e, também por meio de uma greve de fome, passou a pedir a liberação de 26 presos políticos que estariam com graves problemas de saúde. Essa é a 23a greve de fome do jornalista. A última, realizada em 2006, reivindicava o livre acesso à internet para os cubanos e durou seis meses.

Formas de protesto como essas são reincidentes na história mundial e no Jornalismo. Só neste começo de ano, por exemplo, além da greve de Zapata e Fariñas, o jornalista independente Juan Carlos Reyes Ocaña, também de Cuba, detido por membros da Polícia Nacional Revolucionária afirmou que vai manter uma greve de fome até que seu caso seja julgado.

Informações da RSF indicam que a maioria dos casos de greve de fome de jornalistas acontecem em países do Oriente Médio e em Cuba. O protesto contra condições carcerárias não é mera coincidência. Cuba é o terceiro país com mais jornalistas presos do mundo e é o único país do continente americano que figura entre os primeiros do ranking. Além dele, aparecem no levantamento do RSF, de maneira mais discreta, México, Peru, Equador, Jamaica e Venezuela com apenas um jornalista preso em cada país.

Veja a seguir alguns casos de greves de fome realizadas por jornalistas nos últimos anos:
- Janeiro 2010: Juan Carlos Reyes Ocaña, cubano iniciou uma greve de fome até que o seu caso seja julgado
- Abril de 2009: Roxana Saberi, jornalista de dupla nacionalidade, norte-americana e iraniana, protestou contra sua condenação a oito anos de prisão por espionagem
- Novembro de 2008: Mais de 150 jornalistas sudaneses protestaram contra a censura no Sudão
- Fevereiro de 2008: Slim Boukhdhir jornalista independente da Tunísia reivindica condições penitenciárias
- Janeiro de 2006: Guillermo Fariñas, cubano faz luta pelo acesso livre à internet no país
- Janeiro de 2006: Sami al-Haj , cinegrafista sudanês preso, ficou 16 meses sem comer até ser liberado da prisão, Guantánamo
- Junho 2005: Akbar Ganji jornalista iraniano pressiona o judiciário para conseguir sua libertação
- Agosto de 2004: Fabio Prieto Llorente reivindica transferência para uma penitenciária mais próxima a sua casa
- Maio de 2004: jornalista cubano Manuel Vázquez Portal protesta por melhores condições penitenciárias
- Dezembro 2003: Ricardo González Alfonso pedia transferência para outra ala da prisão, onde pudesse ficar na companhia de presos políticos e não na de criminosos comuns

Fonte: portalimprensa.uol.com.br
Veja a matéria completa aqui.

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