CLÁUDIA PATRICIA
SETEMBRO AMARELO 18/09/2020

Setembro Amarelo


O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. No Brasil, foi criado em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar à cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro).

 

A ideia é pintar, iluminar e estampar o amarelo nas mais diversas resoluções, garantindo mais visibilidade à causa.

 

Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor público e privado e a população de forma geral se envolveram neste movimento que vai de norte a sul do Brasil.


A campanha é em setembro, mas falar sobre prevenção do suicídio em todos os meses do ano é fundamental!


As razões podem ser bem diferentes, porém muito mais gente do que se imagina já pensou em suicídio. Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso. Em muitos casos, é possível evitar que esses pensamentos suicidas se tornem realidade.

 

A primeira medida preventiva é a educação. Durante muito tempo, falar sobre suicídio foi um tabu, havia medo de se falar sobre o assunto.

 

De uns tempos para cá, especialmente com o sucesso da campanha Setembro Amarelo, esta barreira foi derrubada e informações ligadas ao tema passaram a ser compartilhadas, possibilitando que as pessoas possam ter acesso a recursos de prevenção. Saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil, onde atualmente 32 pessoas por dia tiram a própria vida. Surge então um outro desafio: falar com responsabilidade, de forma adequada e alinhada ao que recomendam as autoridades de saúde, para que o objetivo de prevenção seja realmente eficaz..

 

Mas como buscar ajuda se muitas vezes a pessoa sequer sabe que pode receber apoio e que o que ela sente naquele momento é mais comum do que se divulga? Ao mesmo tempo, como é possível oferecer ajuda a um amigo ou familiar se também não sabemos identificar os sinais e muito menos temos familiaridade com a abordagem mais adequada? Todos podemos fazer esta pergunta: TEM ALGO QUE EU POSSO FAZER PARA TE AJUDAR?

 

Podemos ficar atentos ao Isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, frases como “preferia estar morto” ou “quero desaparecer” podem indicar necessidade de ajuda.

 

A ajuda pode vir de um amigo, parente, colega de trabalho ou escola, professores, ou alguém que está próximo a quem precisa e também dos voluntários do CVV, que são treinados para conversar com pessoas que estejam passando por alguma dificuldade e que possam pensar em tirar sua vida. Para conversar com um voluntário, basta ligar para o telefone 188, gratuito, que funciona 24 horas. Também é possível mandar um e-mail ou falar pelo chat, que podem ser acessados pelo site www.cvv.org.br. Produzimos alguns vídeos, em parceria com a UNICEF, para divulgarmos a importância da Prevenção. Todos podem utilizá-los!.


O apoio da família é um pilar fundamental na construção do indivíduo. Identificar que alguém próximo começa a dar sinais de depressão também é uma importante forma de amparo. Desde que o apoio seja dado sem críticas, julgamentos ou minimização do sofrimento pessoal. Se esse apoio não vier de casa, o CVV é uma opção.

 

“As famílias têm que ter sensibilidade e não julgar. Toda dor não vem do nada, não cabe a nós julgar se ela é pequena ou grande. A pessoa usa uma lente e ver aquela dor daquela forma impactante, mesmo que para nós possa parecer uma coisa pequena, é algo que realmente afeta a vida dela. Nós acreditamos que temos que dar apoio emocional, não julgar, não criticar e deixar ela ser ela mesma. Uma pessoa que era alegre e fica triste, denota que houve uma mudança no componente emocional e deve ser observada.

 

O tema é complexo, delicado e cheio de tabus, mas não pode ser ignorado pela sociedade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas morrem todos os anos por atentarem contra a própria vida, o que corresponde a uma morte a cada 40 segundos. A cada morte, pelo menos seis pessoas são impactadas diretamente. A consequência é alarmante: em 2015, o suicídio foi considerado a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. Só no Brasil, 32 pessoas cometem suicídio todos os dias.


Diante de tais dados, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) se unem no Setembro Amarelo para prevenir o suicídio, lembrado dia 10 deste mês.

 

 

 


FATORES DE RISCO


Um dos maiores desafios da sociedade e dos profissionais de saúde é identificar as pessoas que estão em risco ou são vulneráveis ao ato. Por isso, listamos abaixo alguns dos principais fatores de risco para a ideação ou para o ato suicida.
Doenças mentais


De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 50% dos suicidas tinham alguma doença mental identificada, não tratada ou não tratada de maneira adequada. Pacientes com mais de um transtorno identificado, têm os riscos aumentados.


São fatores de risco:


• Depressão


• Transtorno bipolar


• Transtornos mentais relacionados ao uso de álcool e outras substâncias


• Transtorno de personalidade


• Esquizofrenia

 

Aspectos psicológicos


Quando os fatores abaixo estiverem ligados ao consumo de substâncias químicas, o risco é extremamente alto. Além disso, pacientes que já tenham tentado suicídio têm entre cinco e seis vezes mais chances de atentar novamente contra a própria vida.


Outros fatores:


• Perdas recentes


• Baixa resiliência


• Personalidade impulsiva, agressiva ou humor instável


• História de abuso físico ou sexual na infância


• Desesperança, desespero e desamparo


• Conflitos de identidade sexual

 

Aspectos sociais


As mortes por suicídio acometem três vezes mais os homens do que as mulheres. Porém, as tentativas são três vezes mais frequentes entre elas. A explicação estaria no fato de os homens serem mais reservados para falar sobre problemas pessoais e, consequentemente, em buscar ajuda, resultado também da cultura na qual estão inseridos. Já as mulheres dispõem com mais facilidade de rede de contatos e de grupos de apoio que as auxiliam nas questões emocionais e psicológicas, o que amenizaria os riscos. Há também um índice elevado entre idosos. Os principais motivos são solidão, perda de cônjuges, doenças degenerativas dolorosas e sensação de dar trabalho para a família.


Formas saudáveis de conversar sobre suicídio


Nada é tão simples: é importante esclarecer que o suicídio é algo complexo e que pode ser motivado por múltiplos fatores.


As causas são variadas – violência, sexualidade, abusos, entre outras e o problema é muito maior em comunidades indígenas, que tem problemas próprios ligados aos conflitos em torno da demarcação de terras e drásticas mudanças sociais sobre seus povos.


As estratégias de prevenção são as que geraram iniciativas como o Setembro Amarelo – redução do estigma e conscientização do público, além de fomentar a capacitação de profissionais da saúde, educadores e forças de segurança.

 

Como você pode ajudar? Vemos muita gente neste mês falando que está disposta a ajudar, conversar, tentar de alguma maneira dialogar com as pessoas que estejam pensando em suicídio. Mas não é assim tão fácil e é importante entendermos a necessidade de ajuda profissional.

 

 

 

 

Como ajudar?


Para ajudar uma pessoa com comportamentos suicidas, algumas ações são fundamentais, como:

ouvir, demonstrar empatia e ficar calmo;


ser afetuoso e dar o apoio necessário;


levar a situação a sério e verificar o grau de risco;


perguntar sobre tentativas de suicídio ou pensamentos anteriores;


explorar outras saídas para além do suicídio, identificando outras formas de apoio emocional;


conversar com a família e amigos imediatamente;


remover os meios para o suicídio em casos de grande risco;


contar a outras pessoas, conseguir ajuda;


permanecer ao lado da pessoa com o transtorno;


procurar entender os sentimentos da pessoa sem diminuir a importância deles;


aceitar a queixa da pessoa e ter respeito por seu sofrimento;


demonstrar preocupação e cuidado constante